ALPEDRINHA - Castanhas da Gardunha

sábado, maio 12, 2007

30 ANOS APENAS PELA RAMA


A título comemorativo do 1.º aniversário bloguista, vou aflorar os últimos agonizantes 30 anos de administração Alpetriniense.

Falou-se em Alpedrinha do empreendimento PAPI (Programa de Apoio a Pessoas Idosas ou será Programa de Apoio à Primeira Infância), não sei qual seria, decerto seria coisa boa para quem podia pagar e não só, pois também abrangia uma parte pobre, segundo os planos que me chegaram (conversa de orelha), era também para a 3.ª Idade. Mas tarde um grupo de engenheiros miram o local, a coisa vai (penso para comigo)... Surgem problemas com a intenção de alargamento da antiga estalagem, era a parte destinada para um lar de pessoas de posse, com fisioterapia e tudo. Entretanto a antiga Pensão Clara foi comprada para o dito empreendimento juntamente com dádiva de outra casa, segundo informação de café. Toda a gente se convence que vai ser realidade, eu até me meti com o Sr. Aires Pires de quanto tinha ganho com a venda da pensão.
Sempre pensei vêm aí mais uns postos de trabalho. Foi pura ilusão.
Em Alpedrinha desde há muito que começou a decadência: as serrações fecharam; o lagar foi uma linda recordação, os mais velhos aprenderam como se processam as voltas da azeitona até ao produto final, melhor dizendo até ao bacalhau; a moagem parecia adivinhar os transgénicos, já passaram muitos anos, tantos como os moleiros deixaram de passar em Alpedrinha com os seus burros carregando os talegos, de manhã levavam o grão à tardinha traziam a farinha; a extracção de óleo de milho na fábrica Novais também já era; a fábrica da batata frita foi uma miragem; a Estalagem de São Jorge foi uma coisa boa; a estação de caminho de ferro passou a apeadeiro; os CTT também vão voar; falou-se de zona industrial, onde está?
Na década de 60 a emigração era o sal de esperança, pois as terras de cultivo o que produziam, seu rendimento mal dava para o senhorio, fizeram bem os que amanhavam a terra em procurar trabalho noutras paragens e fazer pela vida. Muito mal fizeram (no meu ponto de vista) foi ao regressarem de férias ou de todo, comprarem as casas dos chamados ricos, em vez disso, teriam feito muito melhor se comprassem uma fazendita e fizessem lá a sua casa, como agora está salpicada a nossa Alpedrinha. Fazendo um percurso a partir do cemitério, um caminho que vai até à escola ou melhor ao Barreiro, nesse trajecto muita casa foi construída, não falando no Bairro Novo (D. Francisca Cabral) e em frente da antiga serração do Anjo da Guarda está nascendo um empreendimento. Até aqui nada de novo, tudo é fruto dos tempos.
Agora pergunto: Que balanço destes 30 anos? Tudo piorou. As empresas que davam emprego fecharam, hoje apenas conheço a Santa Casa da Misericórdia de Alpedrinha a ser a agência de emprego, pelo menos 50 e tal (no Lar e na Creche).
Ao princípio era o presidente da Junta um bom rapaz que preenchia os papéis, na Casa do Povo, aos mais idosos para poderem receber uma reformita (pois se não sabiam ler, caramba, qual a alternativa?), no entanto souberam pagar com o seu voto enquanto foram vivos, alguns descendentes comportam-se fazendo como se de promessa se tratasse, ainda pagam a vontade dos pais. Depois veio o «El Dourado» dos cursos, curso para aqui, curso para ali, iam da verga de restauro de cadeiras até ao ferro forjado, empregos saídos daí não se viu, mas era tudo segundo as más línguas medido ao milímetro entravam os mais necessitados os que não tinham emprego (em troca de uma cruz)... Depois veio o túnel, isto é, dois túneis eu sempre disse que em Alpedrinha é tudo em grande. O pior de tudo é que nem se colocava em dúvida o nó, era garantido, certinho. Alpedrinha foi a única vila a sofrer com a construção, poluição durante 24 horas tanto sonora como de poeira, muita casa sofreu a sua rachadela, indemnizações, nem falar, até na televisão o Sr. Francisco presidente da Junta de Alpedrinha disse: «Se eu consegui tudo com a outra cor, quanto mais com esta!» (esta era a cor socialista), o que ele queria dizer: tanta dúvida para quê? Está garantido, até me ofendem com as dúvidas! (Não se pode falar porque o mandato ainda não terminou, quem sabe!)...
Depois da decepção veio o aluguer do Picadeiro por dez anos, a Junta fazia e depois entregava à Câmara, era assim uma coisa parecida, era para um museu de Arte Sacra, ao lerem ninguém entende e eu também não sei explicar melhor, mas há quem saiba como foi a coisa, eu apenas faço lembrar.
Depois como o povo gosta de festas veio o folclore e li no «Jornal do Fundão» que o rancho de Alpedrinha fazia 52 anos. Estou envergonhado não sei onde é a sede do rancho, se calhar está escrito nalgum local, com certeza que a Junta saberá quem criou o Rancho, quem ensaiava esses pormenores todos (fiquei a pensar: se calhar os imóveis da CP já foram negociados com a Junta, na estação colocam os trajes e os adufes e no edifício do armazém ensaiam as modas), aqui está um exemplo de pura iliteracia, mesmo de burrice, é o que faz a malta não ligar à cultura da sua terra! Mas pergunto onde é a sede do rancho, em casa de quem tem o traje? O rancho esteve a hibernar? Decerto que os trajes já devem ter traça ou cheiram a naftalina. Entretanto morreu ou fizeram-no morrer, o chamado orfeão, por sinal bastante bom, li críticas e ouvi dizer maravilhas de quem sabe da poda.
Mas não nos fiquemos por aqui continuemos, o século XXI tinha de trazer uma festa: a transumância, é ela o culminar de quem sabe do que o povo quer, o que faz mover Alpedrinha, o que dá turismo, bom estou a exagerar chamando turismo! Turismo era antigamente famílias abastadas outras nem tanto que vinham passar férias, além da água e bons ares ainda levavam os melhores para casar com os seus filhos ou filhas. Agora é uma doidice, eu queria dizer bebedeira, a malta tem fome e sede, e não julguem que durante a refeição acontece tristeza ou silêncio, isso é que era bom! O presidente inspirado nos bombos de Lavacolhos, aí estão também os Zabumbas, são três dias e noites maravilhosas. Alpedrinha não necessita de mais labuta durante o ano, ganhou-se o suficiente, haja ânimo e pede-se ao Anjo da Guarda que interceda para que não haja frio, que esteja amena a noite pois a malta aquece. Mas é lindo, tanto automóvel!! Todos arrumadinhos de um lado e do outro da estrada, deixam largura suficiente para a malta passar, difícil é andar na rua, muita malta, muito encontrão, nesses dias não interessam os paralelos mais altos, ninguém cai pois haverá quem ampare. (Estou brincando mas de Lisboa e não só vêm imensas famílias, para poderem provar a caça da Associação dos Caçadores).
Mas afinal o que temos? Um campo de futebol oferecido pelo Sr. João Matos que hoje serve de vazadouro. Um campo desportivo sem telhado, mas sempre dá para a malta dar uns toques, ouvi dizer que sanitários já lá vão uns poucos! Deu-se por concluída a sede da Junta de Freguesia, obra emblemática (quase a Santa Engrácia). Plantaram-se umas árvores, até dão para fazer chá! Chá de tília, é bom. O Centro Paroquial foi feito. A Casa Paroquial parece-me também arranjada. Telhado novo na Capela de Santo António. Não façam perguntas, pois são imóveis que pertencem à comunidade, como tal, as verbas, bom não sei de onde vieram. Também não nos podemos esquecer dos bons serviços que o Sr. presidente da Junta tem dedicado às cerimónias religiosas.
Não quero ser deita abaixo alguns caminhos para as fazendas foram arranjados e também a baixada da luz eléctrica (mas isso tenho eu visto em aldeias menores, cá para mim foi plano nacional e eu não sei a qual ex-primeiro-ministro devo agradecer, é como o rancho de Alpedrinha, só conheço as tascas e cafés, o branco e o tinto, são as minhas cores. Falando de ranchos só ouvi falar de tempos idos, os que passavam para a Santa Luzia, Castelejo, Alpedrinha tem tradição de ranchos? E de bombos? Se calhar como não havia melhoramentos a fazer o Sr. presidente da Junta enveredou pela criação de saias antigas e toma lá laranja. Volto à carga mas o Sr. presidente só está nisto à cerca de 30 anos e os outros 22 quem fez a história do ranho?
Ao escrever estas linhas também não quero passar por mentiroso, num mandato estiveram os laranjas, uns dizem que não fizeram porque não deixaram devido a determinadas influências, mas pagaram uma dívida de três mil contos, nada mau!
Tudo isto é para dizer que a Câmara do Fundão nem sempre esteve nas mãos contrárias, já no tempo do Sr. Sampaio Lopes, o que beneficiou Alpedrinha? Agora ouvi dizer que o actual Presidente da Câmara conhece bem a situação, pudera nasceu perto do Fundão, como conhece dá uns euritos para a música, mais uns euritos na transumância e pouco mais. Ora como está previsto que em 2009 continuará mais um mandato, Alpedrinha receberá o título «A Desprezada com pretensão a Decadente», para alegrar a enfermidade o presidente da Junta bem espalha umas flores, não quero fazer piada com blocos, não estejam à espera. A rede de água introduzida há cerca de 60 anos em lusalite, deve ter «colesterol» em grande, já não falando no amianto, mas segundo a estatística ninguém morreu por isso! A calçada ouvi dizer que estão à espera da promoção a aldeia histórica para alindar tudo. Acho bem, quando se mexe vai de seguida para não haver altos e baixos, podem esperar até que a nossa serra esteja toda arborizada (as escolas do Alentejo, até deram um bigode, foram plantar não sei quantos castanheiros), e as nossas escolas e o Externato ninguém as incentivou para colocarem a sua árvore? Claro que seria necessário um representante da Junta de Freguesia falar com os professores e mandar abrir uns buracos e comprar as plantas.
Viram como resultou na estrada que passa dentro da vila, deitou-se uma camada bem alta de alcatrão, é pena as portas das habitações ficarem um pouco abaixo do nível da estrada, mesmo que haja rotura num cano, a água já sabe o caminho, pelo menos não aparece cá por cima.
Também não quero ser injusto, caramba, houve obra, podem morrer à vontade pois o cemitério foi aumentado, temos mais dois talhões (já viram é tudo aos pares), tudo em grande, não sei se temos coveiro, enterrados ficam. Agora obra que se possa ver, daquela que enche o olho, que me lembre de uma infra-estrutura, também não posso ser aldrabão, eu não vejo, se virem façam o favor de dizer. Não me venham a falar das Termas, aquilo abriu e fechou, haverá quem tenha saudades de não percorrer o caminho...
Claro que o Sr. Presidente Frexes tem o nosso presidente da Junta, se calhar em conta de como é um grande chato, sempre a pedir coisas e mais coisas que mal cabem em Alpedrinha. Mas Ex.mo Sr. Presidente da Câmara, Alpedrinha é freguesia da sua comarca, se não lhe apresentam projectos o Sr. Presidente sabe do que ela precisa e se não sabe manda saber o que será necessário (a gente sabe que as verbas não abundam, mas uns pós, sempre haverá). Depois, se não quiser dar a «massa» a Câmara pode administrar, penso eu! Se tem feito obra nas outras freguesias porque razão Alpedrinha está desprezada, não acredito que seja devido à cor política, ou por ter perdido uma vez na freguesia, não acho motivo suficiente que por uma pessoa se prejudique a terra. Em 2009 com certeza que irá ganhar, vai ignorar mais 4 anos a freguesia de Alpedrinha? Pobre terra, ainda por cima vivem na esperança de passarem a aldeia histórica, mas o Sr. Presidente da Câmara sabe perfeitamente que Alpedrinha tem pergaminhos e atributos para o ser, até podia dar um empurrão, mas sobre este assunto lembro-me da frase: «quando as galinhas tiverem dentes» talvez Alpedrinha venha a ser aldeia histórica, com as novas tecnologias, acredito mais nas galinhas a terem prótese dentária.
Aproveito para falar sobre o concurso com regulamento que a Junta lançou Cartaz/Muppie. Se temos o Externato porque não colaborar com essa rapaziada? Ou o Colégio serve apenas para pedir o autocarro? O que é que a Liga e o Teatro têm a mais (para serem júri) que o presidente da Casa do Povo, o presidente do Centro Paroquial, o presidente da Fundação Gamboa (dois votos, fora o voto de qualidade), o presidente do Externato Santiago de Carvalho e o Provedor da Santa Casa? Quem será o arquitecto e o designer? A Liga e o Teatro são primos da Junta? As outras instituições o que são? Então na falta do arquitecto e do designer mais olhos não conseguem ver melhor? Não será bom trabalhar com todas as instituições? O Sr. presidente da Junta não aprendeu com a reunião sobre o D. Jorge da Costa? Além disso porque não colocar já a tecnologia, para não se mudar quando formos históricos, e colocar desde já ecrãs electrónicos, coloca-se o dedo e já está: Ou vem uma voz ou uma legenda e diz: “Você está aqui no sítio chamado Largo da Fontainha, o tanque antigamente estava situado mais abaixo”. Temos que pensar em grande, então a médio prazo as placas de metal já não servem? Gastaram-se com a erosão de meia dúzia de anos ou estão cheias de verdete? Eu sei que qualquer visitante tem o direito a saber que o chafariz foi construído em tal data. Mas em primeiro lugar temos de evitar que o visitante sofra uma entorse e os habitantes também. Até parece que não existem prioridades?

PARABÉNS AO EXTERNATO SANTIAGO DE CARVALHO

Esta instituição começou em 2001 com o Festival de Alpedrinha. Este ano já vai na organização do 7.º Festival, tendo como Apoios: Câmara Municipal do Fundão, Fundação Calouste Gulbenkian, Governo Civil de Castelo Branco, a Moagem – Cidade do Engenho e das Artes, Junta de Freguesia de Alpedrinha e Casa do Barreiro. Já passaram por este evento muitos grupos nacionais e músicos estrangeiros, fortes individualidades têm enriquecido este evento. Este ano o 1.º concerto começou em Alpedrinha no dia 23 de Março, com uma evocativa da morte do fundador do Externato Padre José Santiago e com um concerto pelo Grupo de Metais da ESART de Castelo Branco. Mas o seu ponto forte começou no dia 5 deste mês de Maio no recente edifício Moagem no Fundão, dia 12 será no mesmo espaço e farão uma homenagem ao compositor Fernando Lopes Graça, 19 e 26 será em Alpedrinha na igreja matriz e encerra no dia 8 de Junho com um encontro de Bandos, música e teatro pelos alunos do Externato e Escola Básica 2/3 de Castelo Branco. O encerramento será junto do Chafariz de D. João V. Pela qualidade não se poderá perder um evento destes, é raro sair para a província concertos desta dimensão. Obrigado ao Externato Capitão Santiago de Carvalho na pessoa de António Alberto Santiago e Miguel Carvalhinho pelo trabalhinho que tiveram nos contactos.