ALPEDRINHA - Castanhas da Gardunha

sábado, maio 20, 2006

CEREJAS



É de facto o ex-líbris do concelho, este magnífico fruto, portanto podemos dizer que é cereja do Fundão, mas pode ser conhecida por cereja da Gardunha, da Cova da Beira, de Alcongosta ou de Alpedrinha. Existem variedades que estou convencido que a maioria dos portugueses nunca comeram e a principal ainda é cedo para a vermos é a chamada cereja de saco, huuum, não sabe o que perde quem nunca comeu, o bom de fruto que é realmente. É tão boa, não é para emitar a canção «És tão boa...», ela é mesmo boa e para principiar já foi à Assembleia da República, agora vai para os concertos do Rock in Rio, não esquecendo as duas selecções do Sub-21 e os «grandes» na Alemanha, mas não fica por aí, se passar pelas áreas de serviço de Santarém, Pombal e do Fundão poderá ter sorte em apanhar uma embalagem das 4.800 para as áreas de serviço mais 28.000 para os outros eventos. Este ano a cereja vai ao Rock para o ano pode com certeza, porque já aprendeu a dançar, decerto que irá para as Docas. De um modo geral ainda é o que nos vai valendo juntamente com o belo pêssego para dar um pouco de rendimento aos seus proprietários, quando a meteorologia os ajuda, caso contrário, quem enche a barriga são os melros e os proprietários ficam ouriçados, ficavam, penso que os governantes andam com a Beira Baixa debaixo de olho. Esperança meus amigos, muita esperança, mas não é esperança de segunda classe, é da boa, como as cerejas...

sexta-feira, maio 19, 2006

POR ENQUANTO LÁ VAI O COMBOIO...

O Intercidades esteve por um fio, tinha o destino já marcado terminar a viagem em Castelo Branco, para o Fundão, Covilhã e Guarda chegava uma automotora. Decerto que os três autarcas se mexeram e conseguiram (mais uma esmola, digo eu), se calhar, ainda tiveram que agradecer, isto é, estamos mesmo numa de ouriços, não sabem que para a UBI vai imensa rapaziada!
É nestes pormenores que os Beirões da Beira Baixa e Alta, verificam que os secretários, ministros e primeiro-ministro, estão sempre a pensar em nós, é imensa gente a querer só o nosso conforto. Isto é o que se chama facilitar o Interior, só estou com medo que os nossos governantes fiquem prejudicados com algum processo por facilitarem tanto a Beira Baixa, o pior ainda é que os restantes portugueses nos chamem protegidos, eu não me ia sentir bem, por exemplo, numa Repartição Pública pergunta o funcionário: distrito, eu respondo: Castelo Branco, logo o pessoal da restante fila que entretanto ouviu, olham e dizem: «olha para aquele Beira Baixa, protegido, é só maternidades, comboios dos bons, empresas de toda a gama e de alta tecnologia e ainda por cima estão perto de Espanha, podem comprar as coisas mais baratas e encher o depósito por menos euros, e ainda dizem que não existem portugueses de primeira e outros enteados», claro que eu ao ouvir isto fico vermelho, bem vermelho também não fico, o melhor é como dizem na minha terra fico corado. Chego a casa e fico a protestar para comigo: cambada de invejosos, vai um comboio que geralmente chega atrasado e ainda falam, estes tipos que têm comboios por cima e baixo e sempre com imensa companhia, às vezes não é da melhor, mas para evitar algum pormenor menos inconveniente, existe a observação da autoridade, não há, está cara, oh com cem ouriços, isto começa a estar mesmo ouriçado. Valha-me o euro milhões.

QUE SE CANSEM ELES

Se eu fosse novo e quisesse um filho e se a residência fosse numa daquelas freguesias da periferia, que ainda têm uns bocados de estrada em que a grávida nem precisa de fazer força os solavancos fazem o mesmo efeito, eu não treinava para ter esse filho, mandava treinar os deputados, eles têm poder económico para mandar educá-los e maternidades upa, upa. Para a Beira Baixa, deram-nos a A23 (por uns tempos) para facilitar, facilitar o quê? Não podemos andar de carro que a gasolina está pela hora da morte, empregos têm por lema: a esperança. Ora temos na Universidade da Beira Interior, Covilhã, o curso de Medicina, então não há-de ter uma Maternidade? E Castelo Branco tem que vencer os 60 quilómetros e as freguesias limítrofes, quantos quilómetros a mais têm de percorrer? Não dá gosto «abanar» as pernas, quem o fizer a sua parceira deverá estar pensando na pílula do dia seguinte. Isto é mesmo do ouriço.

quinta-feira, maio 18, 2006

TEATRO

Fiquei satisfeito ao ler no «Jornal do Fundão» que o Teatro Clube de Alpedrinha estreia a peça «Auto da Barca do Inferno» de Gil Vicente. Quem diria? Logo com o mestre Gil que é difícil como o «ouriço» devido ao tipo de linguagem. Pareço que estou brincando, mas não, é de louvar, o grupo cénico, mil vezes isso, do que aquilo que a gente sabe... Ainda dizem que é só ranchos, agora mudei para o «ouriço». Em abono da verdade Alpedrinha nunca teve nos tempos de ontem tradição para o rancho, música sim, a malta sabia pegar e tocar o instrumento, há quem diga que era das melhores bandas! Companhias itinerantes levavam peças ao saudoso Teatro Clube de Alpedrinha, que mais parecia um São Carlos em ponto pequeno. Mas não era só os itinerantes, eu ainda sou do tempo que o Senhor António Vaz Mendes, ensaiava óptimas peças, belos tempos, em que a malta não se embaralhava com as deliberações da União Europeia era só alegria a ver os filmes que o Sr. Farinha Pereira passava prá malta, qual défice qual carapuça, se calhar não havia disso porque a rapaziada tinha mesmo que saber contar na ponta da língua, agora os chineses que nos ajudam com as máquinas, tão pequeninas e sabem fazer contas grandes, grandes como as dívidas dos portugueses, de alguns, outros nem crédito têm para contrair dívidas. Conclusão estamos na verdade metidos numa peça do «ouriço».

sexta-feira, maio 12, 2006

Soneto de ARY DOS SANTOS

Ao meu falecido irmão
Manuel Maria Barbosa du Bocage

Meu sacana de versos! Meu vadio.
Fazes falta ao Rossio. Falta ao Nicola.
Lisboa é uma sargeta. É um vazio.
E é raro o poeta que entre nós faz escola.

Mastigam ruminando o desafio.
São uns merdosos que nos pedem esmola.
Aos vinte anos cheiram a bafio
têm joanetes culturais na tola.

Que diria Camões, nosso padrinho
ou o Primo Fernando que acarinho
como Pessoa viva à cabeceira?

O que me vale é que não estou sozinho
ainda se encontram alguns pés de linho
crescendo não sei como na estrumeira!

O FRUTO






Para saborear na imaginação e fixá-las com um belo olhar, aqui fica a imagem de como eram as castanhas na serra de Alpedrinha, lembro-me também daqueles magustos, em que este fruto era empurrado com uma bela jeropiga, as castanhas eram da serra do Sr. Farinha a jeropiga de qualquer lado geralmente era boa. Depois veio o «papão», isto é, o papão vem quase todos os anos e com a sua língua grande lambeu não só castanheiros como as outras árvores, malditos incêndios. Quando a Gardunha começa a ficar vestida vem o inimigo e deixa-a em fio dental. Quem não lembra no Outuno as matizes de castanho, principalmente quem vem do Fundão para Alpedrinha pela estrada n.º 18.

Mas este blog não é para dar verdadeiramente castanhas é mais virado para o ouriço.