ALPEDRINHA - Castanhas da Gardunha

quarta-feira, março 28, 2007

PROVÉRBIO

Para medir a virtude de um homem há que olhá-lo,

não nas grandes ocasiões, mas na vida diária.

Pascal

quinta-feira, março 22, 2007

ISTO É UM ESPANTO!...

Alpedrinha sendo notícia na SIC, claro que eu estava a pau como se diz na minha santa terra, mesmo santa, em paciência ou masoquismo, se calhar estou enganado, nos tempos que correm nada me espanta, hoje fiquei mesmo surpreendido com o que vi e ouvi. Um indivíduo que tem como profissão a política desde o 25 de Abril, foi sempre autarca ou coisa superior, assumiu que a deslocação da fontainha que era coisa de pouca monta que não pensou que seria necessário (as vias legais, isto é meu) no entanto a título de desculpa ainda mais esfarrapada acabou por afirmar que não alterou nada, disse: ficou tudo na mesma, nada foi alterado. Valha-me o Santo, então com tantos anos de aprendizagem de como se faz (aqui é difícil) e como não se faz, ouvir uma barbaridade dessas é que nem os gatos fedorentos teriam tanta lata. Lá que o presidente da Junta beneficiou alguém, não resta dúvida e não será necessário ter muita imaginação. Mas o presidente tem que ter em mente que existem obstáculos com muita curva que não se pode tocar quanto mais desviar. Muito me admira que a fontainha tenha sido deslocada tão rapidamente, por pouco ficaria pronta, não me lembro em Alpedrinha de tal feito, devo andar cego e tenho quase a certeza de que o Sr. presidente convencerá muitos a pensarem:
«Então não ficou assim melhor, o fulano de tal pode arrumar o carro sem andar aqui às voltas, os nossos bombos cabem aqui todos sem baterem uns nos outros, há determinada malta que não gosta de mim, mas lá no fundo até aprovam as minhas ideias. Falam, falam mas já está... O IPPAR tem assuntos mais importantes para resolver, ia eu incomodá-los com um pequeno desvio. Até para as festas dos Chocalhos é bom. assim não caem e podiam apanhar uma pneumonia, não me venham com ideias de que não foi uma obra digna! Até beneficiei a Sr.ª D. Maria José, que não pode dobrar-se! E o pior é que não tem máquina de lavar.»
Faz-me lembrar a «Floribela» dos Gatos: sou tão pobrezinha... que até a filha deverá ficar envergonhada ao ouvir isso. Só me dá vontade de gritar e mandar tudo prá: paciência. Mas a lição fica: como se ensina a falar perante uma câmara de televisão em nome do Sr. presidente, não vos digo bem haja. Vem lá a Páscoa é altura de amendoas.


quarta-feira, março 21, 2007

ALPEDRINHA A «FERVER»

«Alpedrinha Sintra da Beira», «Alpedrinha Varanda da Gardunha», títulos dados por quem sabia. Hoje discute-se em determinado meio se Alpedrinha é aldeia ou vila. Como vila é sempre maior, temos a prosápia de o querer ser. Na minha opinião é uma espécie... de lugar, onde uma pessoa é quase «dono» de todo o terreno. Onde já se viu uns antigos Paços do Concelho serem abandonados como sede da Junta de Freguesia a favor de um imóvel de menos valia? Com certeza foi pelo facto da longa duração no acabamento que merece ser o local mais importante, bem iluminado, florido, relvado, calçada à portuguesa, com granito exemplar e aquecido pelo Natal. Estava no meu espírito dar opinião sobre a fontainha, não pelo facto do pedido, parecia ser o director dos blogues (façam o favor de escrever sobre isto, tá e não esqueçam, depressa...). Aproveito para dizer que é uma boa causa: defender no que não se deve mexer, bulir. Se não se faz, conserve-se o que existe. Algumas pessoas têm a utopia de querer transformar Alpedrinha em aldeia histórica. Conheço aldeias históricas com menos monumentos com menos valia, mas têm uma matéria-prima que infelizmente Alpedrinha deixou de possuir: Homens de letra maiúscula. O bairrismo foi passear. Os novos ricos olham para o umbigo (pudera têm a barriga grande). Fazer mandatos porque a malta quer é uma coisa, estragar o que outros fizeram é outra. Mudando de assunto e querendo sanar esse ciúme terrível quanto ao patinho que dei como graça ao blog Alpedrinha@News, é no mínimo a segunda vez que fala nele. Tenho cara de parvo para opinar negativamente a quem apenas informa, não magoa ninguém, quero lá saber que pertença à Junta, quero é noticiário e para ser criterioso também informo que melhorou bastante nas suas postagens, deixou a ficção, pela atitude bem merece para o ajudar nessa azáfama o Sr. Lei. O que defende é sério, o prémio é graçola. Acabaram-se os ciúmes? Acabei com os patinhos devido à gripe das aves.

sexta-feira, março 16, 2007

ALPEDRINHA SEMPRE GOSTOU DE NOMES SONANTES

Não podemos fugir à História, um Cardeal não é para todas as terras! Mas pergunto eu: Sua Eminência o Cardeal D. Jorge da Costa, fez algo em Alpedrinha para merecer uma estátua? Os alpetrinienses deviam saber que essa personalidade foi benéfica para a terra onde nasceu, que é para não serem como eu, estou fazendo figura de parvo. O nosso ilustre Sr. António José Salvado Mota merece algo, não coisa fornecida pelo «Ambrósio». Foi o embrião ao deixar dois livros para alguém poder explorar, até podendo fazer tese com tão gradas figuras. Mas claro que já lá vão 600 anos e a malta é nova, pelo menos um chafariz na terra, era coisa que não desaparecia, que ele não se deu com o rei D. João II sabemos nós, que não se deu com os restantes abastados de Alpedrinha, é o que vai passando de geração em geração, que deu nega a D. Manuel I para ajudar este reino também está escrito, que deixou os irmãos e sobrinhos todos bem colocados é também histórico (também não era necessário ensinar isso, por cá ainda não se perdeu a tradição).
Li algures que se deve a D. Jorge da Costa a criação da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa devido à influência e ao apoio que deu à Rainha D. Leonor com as influências tidas em Roma.
Nessa altura tudo passava pelo Papa até à coroação de um rei.
Vejamos, a Rainha D. Leonor criou o Hospital Termal de Hidroterapia nas Caldas da Rainha; ordenou a criação das Misericórdias; fundou conventos como o da Anunciada e o da Madre de Deus; promoveu a construção das Capelas Imperfeitas no Mosteiro da Batalha, foi protectora das letras e artes, protegeu Gil Vicente (não sei se nas letras se na ourivesaria).
A 15 de Agosto de 1498 foi fundada a Misericórdia de Lisboa, um ano depois fundou no Porto e em Évora, quando a Rainha morreu já existiam 61 misericórdias, incluindo as ilhas e antigas províncias ultramarinas. A palavra Misericórdia nessa altura era aplicada literalmente.
Para quem não saiba tirei de Alpetrinienses Ilustres o seguinte texto sobre D. Jorge da Costa:

«Alcançou tais e tantas dignidades e rendas eclesiásticas como nunca teve outro clérigo, porque foi juntamente arcebispo dos dois arcebispados que então havia em Portugal: Braga e Lisboa; foi bispo de Évora, Porto, Viseu, Algarve e Ceuta.
Teve os bispados cardinalícios Albanense, Tusculano, Portuense e de Santa Rufina.
Foi decano do Sacro Colégio; legado de Veneza e Ferrara; senhor da vila de Arpanica, com todas as suas rendas e jurisdições.
Foi Dom Prior de Guimarães; protector da Universidade de Lisboa; deão de 8 catedrais: Braga, Lisboa, Porto, Lamego, Guarda, Viseu, Silves e Burgos, com o seu chantrado.
Teve uma abadia em Veneza, outra em Navarra e em Portugal 7 abadias da Ordem de S. Bento: Tibães, Pombeiro, Rendufe, Torre, S. Romão, Adaufe e Gondar; 6 da Ordem de S. Bernardo: Alcobaça, Tarouca, Bouro, Ceiça, Fiães e S. João das Águias; 10 priorados dos Cónegos Regulares: Grijó, Vanho, S. Jorge, Roriz, Carámos, Junqueira, Landim, Oliveira, Macelos e Longovares.
Foi pároco e arcipreste de Santarém.
Teve mais um benefício em Roma, na Igreja de Santa Maria Transtiberium, que era título de Cardial de renda e colação de benefícios.
Gosou mais em Portugal e fora dele muitos outros benefícios e inumeráveis Igrejas particulares opulentíssimas, desfrutando todos estes rendimentos juntamente em sua vida.
Fez testamento em Roma a 7 de Abril de 1499, determinando que fosse sepultado na capela de Santa Catarina, da Igreja de Santa Maria do Populo, junto à Porta Flaminea, de Roma, capela que ele sumptuosamente mandou construir e onde efectivamente jaz sepultado tendo o epitáfio: (Jorge Bispo de Albano, Cardial de Lisboa...)»

Esqueceu-se de Alpedrinha e contemplou Lisboa. Nalguns volumes que li por vezes é chamado o Cardeal de Portugal, outros o Cardeal de Alpedrinha, claro que nos convém pessoas ilustres, embora os benefícios sejam nulos.
Lisboa já tem muita estátua, Alpedrinha pobre nesse aspecto, arma-se em importante e fica com um Cardeal que não lhe deu um real.
Não quero ser pessimista, mesmo que se publique um livro bem escrito e eu acredito que sim. Faço as perguntas: Para saber a vida de D. Jorge da Costa? Ou para sabermos os benefícios que deu a Alpedrinha? Estarão escondidos num tesourinho as obras do «benemérito»? Só se for para ler bom português, com a biografia do Cardeal que até hoje nenhum outro obteve tantas regalias, a obra tem que ser principesca, pois segundo está escrito foi grande em tudo, até na inteligência, bairrista é que não.
Valha-me Deus, estou eu a dizer alguma verdade e outros a dizer: «Vozes de burro não chegam nem a sacristão quanto mais a Cardeal, sempre aparece cada animal!».
Façam lá a rotunda e coloquem a memória de gente graúda, fiquem emproados, missão cumprida. Eu direi: decerto haverá gente humilde que merece o local, outros nem tanto que por sua influência empregaram conterrâneos aqui e acolá, fizeram com que o comboio lá passasse, etc., etc.
O Cardeal D. Jorge da Costa obteve um feito bom que eu sei, conseguiu que todas as nossas instituições de Alpedrinha se reunissem, e quase todas elas estão vocacionadas para a cultura não é um espanto! Boa festa que o meu povo gosta.