Não podemos fugir à História, um Cardeal não é para todas as terras! Mas pergunto eu: Sua Eminência o Cardeal D. Jorge da Costa, fez algo em Alpedrinha para merecer uma estátua? Os alpetrinienses deviam saber que essa personalidade foi benéfica para a terra onde nasceu, que é para não serem como eu, estou fazendo figura de parvo. O nosso ilustre Sr. António José Salvado Mota merece algo, não coisa fornecida pelo «Ambrósio». Foi o embrião ao deixar dois livros para alguém poder explorar, até podendo fazer tese com tão gradas figuras. Mas claro que já lá vão 600 anos e a malta é nova, pelo menos um chafariz na terra, era coisa que não desaparecia, que ele não se deu com o rei D. João II sabemos nós, que não se deu com os restantes abastados de Alpedrinha, é o que vai passando de geração em geração, que deu nega a D. Manuel I para ajudar este reino também está escrito, que deixou os irmãos e sobrinhos todos bem colocados é também histórico (também não era necessário ensinar isso, por cá ainda não se perdeu a tradição).
Li algures que se deve a D. Jorge da Costa a criação da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa devido à influência e ao apoio que deu à Rainha D. Leonor com as influências tidas em Roma.
Nessa altura tudo passava pelo Papa até à coroação de um rei.
Vejamos, a Rainha D. Leonor criou o Hospital Termal de Hidroterapia nas Caldas da Rainha; ordenou a criação das Misericórdias; fundou conventos como o da Anunciada e o da Madre de Deus; promoveu a construção das Capelas Imperfeitas no Mosteiro da Batalha, foi protectora das letras e artes, protegeu Gil Vicente (não sei se nas letras se na ourivesaria).
A 15 de Agosto de 1498 foi fundada a Misericórdia de Lisboa, um ano depois fundou no Porto e em Évora, quando a Rainha morreu já existiam 61 misericórdias, incluindo as ilhas e antigas províncias ultramarinas. A palavra Misericórdia nessa altura era aplicada literalmente.
Para quem não saiba tirei de Alpetrinienses Ilustres o seguinte texto sobre D. Jorge da Costa:
«Alcançou tais e tantas dignidades e rendas eclesiásticas como nunca teve outro clérigo, porque foi juntamente arcebispo dos dois arcebispados que então havia em Portugal: Braga e Lisboa; foi bispo de Évora, Porto, Viseu, Algarve e Ceuta.
Teve os bispados cardinalícios Albanense, Tusculano, Portuense e de Santa Rufina.
Foi decano do Sacro Colégio; legado de Veneza e Ferrara; senhor da vila de Arpanica, com todas as suas rendas e jurisdições.
Foi Dom Prior de Guimarães; protector da Universidade de Lisboa; deão de 8 catedrais: Braga, Lisboa, Porto, Lamego, Guarda, Viseu, Silves e Burgos, com o seu chantrado.
Teve uma abadia em Veneza, outra em Navarra e em Portugal 7 abadias da Ordem de S. Bento: Tibães, Pombeiro, Rendufe, Torre, S. Romão, Adaufe e Gondar; 6 da Ordem de S. Bernardo: Alcobaça, Tarouca, Bouro, Ceiça, Fiães e S. João das Águias; 10 priorados dos Cónegos Regulares: Grijó, Vanho, S. Jorge, Roriz, Carámos, Junqueira, Landim, Oliveira, Macelos e Longovares.
Foi pároco e arcipreste de Santarém.
Teve mais um benefício em Roma, na Igreja de Santa Maria Transtiberium, que era título de Cardial de renda e colação de benefícios.
Gosou mais em Portugal e fora dele muitos outros benefícios e inumeráveis Igrejas particulares opulentíssimas, desfrutando todos estes rendimentos juntamente em sua vida.
Fez testamento em Roma a 7 de Abril de 1499, determinando que fosse sepultado na capela de Santa Catarina, da Igreja de Santa Maria do Populo, junto à Porta Flaminea, de Roma, capela que ele sumptuosamente mandou construir e onde efectivamente jaz sepultado tendo o epitáfio: (Jorge Bispo de Albano, Cardial de Lisboa...)»
Esqueceu-se de Alpedrinha e contemplou Lisboa. Nalguns volumes que li por vezes é chamado o Cardeal de Portugal, outros o Cardeal de Alpedrinha, claro que nos convém pessoas ilustres, embora os benefícios sejam nulos.
Lisboa já tem muita estátua, Alpedrinha pobre nesse aspecto, arma-se em importante e fica com um Cardeal que não lhe deu um real.
Não quero ser pessimista, mesmo que se publique um livro bem escrito e eu acredito que sim. Faço as perguntas: Para saber a vida de D. Jorge da Costa? Ou para sabermos os benefícios que deu a Alpedrinha? Estarão escondidos num tesourinho as obras do «benemérito»? Só se for para ler bom português, com a biografia do Cardeal que até hoje nenhum outro obteve tantas regalias, a obra tem que ser principesca, pois segundo está escrito foi grande em tudo, até na inteligência, bairrista é que não.
Valha-me Deus, estou eu a dizer alguma verdade e outros a dizer: «Vozes de burro não chegam nem a sacristão quanto mais a Cardeal, sempre aparece cada animal!».
Façam lá a rotunda e coloquem a memória de gente graúda, fiquem emproados, missão cumprida. Eu direi: decerto haverá gente humilde que merece o local, outros nem tanto que por sua influência empregaram conterrâneos aqui e acolá, fizeram com que o comboio lá passasse, etc., etc.
O Cardeal D. Jorge da Costa obteve um feito bom que eu sei, conseguiu que todas as nossas instituições de Alpedrinha se reunissem, e quase todas elas estão vocacionadas para a cultura não é um espanto! Boa festa que o meu povo gosta.