Capa do opúsculo
VENHA UMA PARA O SR. DR. FRANCISCO DE SÁ PEREIRA
Alguns já deram o seu testemunho, fazendo uma pequena homenagem com inauguração de uma placa, ideia do falecido Sr. Luís Fevereiro. Outros apenas referindo que iam buscar o cartão para a piscina, já demonstra o quilate da pessoa do Sr. Dr. Sá Pereira. Quando se fala na piscina essa infra-estrutura foi a segunda porque a primeira foi o ringue de patinagem. A Beira Baixa ali se deliciava com os jogos de várias povoações, destaco na nossa equipa de Alpedrinha um duo de avançados Luís Sá Pereira e Fernando (das bolas), na baliza o Orlando irmão deste último; havia vários outros nomes João Parra e Luís Fevereiro e alguns veraneantes, desculpem os outros por não referir os nomes (mas a minha fonte não se recorda de mais, apenas um pormenor o adversário Tavares ser muito bom). O árbitro era o Sr. Dr. Sá Pereira, sempre imparcial, era ele o fornecedor de todo o equipamento (desde os patins aos calções). Conseguiu levar a Alpedrinha a patinadora artística Edite Cruz do Benfica e o grande jogador de hóquei chamado Jesus Correia do Paço de Arcos. Assim iam decorrendo os torneios ano após ano, a electricidade para o arraial do Anjo Guarda saía da sua Quinta. Mais tarde vem a segunda infra-estrutura a piscina quase todos ajudaram na placa, isto é, a placa de cimento que ia de um patamar de um metro seguia-se uma rampa e o patamar mais fundo era de 6,5 metros, própria para grandes saltos, mais tarde foi alterada para cerca de metade na parte mais funda. Assim a maioria da rapaziada nova que procurava os tanques para aprender a nadar e tomar banho, era dois em um, geralmente era assim que se aprendia a nadar e o tanque da Quinta da Capela era o mais solicitado, os pais ficaram um pouco mais descansados. Muitos aprenderam a patinar e a nadar, deu alegria a muita juventude, naquele tempo nem os pais estavam preparados a pensarem no bem que aquele empreendimento causava nos seus filhos. Desde Castelo Branco, Covilhã até às Minas da Panasqueira, Alpedrinha era o centro de divertimento desportivo.
Esta personagem sabia da necessidade de quem precisava, assim procedia a dar um visto para muitos, era precisamente o dito cartão.
Lembrando-me do tal concurso em que Aristides de Sousa Mendes fica em 3.º lugar devido a ser um grande humanista o Sr. Dr. Francisco Sá Pereira do mesmo modo em Alpedrinha merecia uma boa classificação, esta personagem fez bem a muita gente, além dos espectáculos desportivos e outros de índole lúdico, deu consultas, tirou dentes a quem não tinha um tostão, não pensem que foram poucas consultas... Alpedrinha beneficiou com este Homem, que investiu tudo o que ganhou para dar alegria aos jovens, ele tinha um sonho maior, mas não foi ajudado.
Sou possuidor de um pequeno opúsculo, não o publico para não ferir os filhos, pois ele marca uma data importante, contudo verificando que a última meia página não fere aproveito para a transcrever:
«Tudo isto necessita dinheiro, muito dinheiro, para a sua realização.
Iremos bater à porta do S.N.I.
Pediremos o auxílio da Fundação Gulbenkian.
São necessários dois mil e quinhentos contos para a sua conclusão.
E ainda que o Estado, por via dos seus serventuários, continue a desconhecer esta Obra e até a hostilizá-la, mesmo assim ela continuará, até ao momento em que o seu proprietário tombar para sempre.
Alpedrinha, 20 de Novembro de 1960.»
Francisco de Sá Pereira
Na verdade a sua obra não teve nenhuma ajuda governamental, foi ostrocisada. Com a sua persistência deu a Alpedrinha o que naquele tempo não havia nem na capital de Distrito. Pergunto: O que Alpedrinha lhe deu? Uma placa colocada na sua propriedade! Falando de estátua, este grande médico bem a merecia, não me venham com outras ideias, eu sei que a história é recente mas do passado de quem se fala nem um chafarizito nos legou. E como não há duas sem três, o mestre Simão deu nome à terra e era um grande artista no ferro forjado. Espero que os candeeiros que saíram da Igreja Matriz sendo substituídos por outros, estejam no museu. Vamos encher Alpedrinha de estátuas? Para quem tem apenas um obelisco no Terreiro de Santo António. Nada mau!